segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Andando... e aguardando



A sombra que me persegue
A escuridão que me rodeia
Da falsidade que me bloqueia
O perigo que de perto me segue.

Se um dia acordo muito feliz
Não imagino o que me aguarda
Surpresa do dia, esse guarda
A felicidade que sempre quis.

Mas onde buscar tamanha alegria
No velho pássaro que voou
No bravio dia que se passou
Onde mais ela estaria?

Ou seria ele? Qual o tom da pele?
Estaria na sombra da alma
Ou na mão escondido na palma
Será que algo em mim o repele?

Não sei se fico aqui a esperar
Nas ruas amargas da vida
Na mais íngreme subida
Esperar, esperar ela voltar.

Olha! Caiu uma lágrima aqui
Estou começando a sentir solidão
A lágrima foi direta ao chão
Parece que vem outra ali.

O rosto banhado a brilhar
Ao reflexo da linda lua cheia
Tiro o sapato e ando de meia
Até o rochoso caminho acabar.

E aqui vou andando... e aguardando
A espera da famosa alegria
Acreditando tê-la conhecido um dia
E aguardando... e andando...

domingo, 30 de janeiro de 2011

“Eu acredito em Cristo, mas não nos cristãos”



A cada dia que se passa os cristãos, sejam eles falsos ou verdadeiros, aumentam o seu nível de descrédito diante da sociedade e do mundo. Obviamente, quando fala-se em cristãos inclui-se as “i”grejas e seus semelhantes, desde templos, comunidades e demais classes religiosas “envoltas” no “cristianismo”.

Gandhi destaca e, talvez uma boa parte das pessoas que nos cercam já tenham escrito isso em letras garrafais... “EU ACREDITO EM CRISTO, MAS NÃO NOS CRISTÃOS”. Para quem não sabe bem quem é este tal citado, foi um dos maiores ativistas social, filósofo e pensador indiano, indicado cinco vezes ao Nobel da Paz e apesar de não ter ganho nenhuma vez, teve o seu devido reconhecimento pelo comitê organizador do Nobel.

Mas se você já achou dura essa citação parafraseada, então compreenda quando ele fala nessas palavras: "No dia em que me mostrarem um cristão parecido com Jesus, eu me converto ao cristianismo". Forte não é? Soa como um tapa na cara de quem realmente se preocupa com o que viria a ser a imagem de Cristo. Logo, a sociedade (não pode-se dizer de uma minoria ou maioria, já que isso vai depender do seu posicionamento) tem tentado transformar Jesus, o Cristo, em uma espécie de ativista social, desconsiderando seu poder de salvação.

Sobre o assunto o Pr. Márcio de Souza enfatiza muito bem sobre “nossos problemas” como cristãos e “frequentadores de igrejas”:
Isso acontece por conta da falta de referencial na igreja hoje que não empolga mais ninguém a seguir os valores do Cristo. Jesus disse que seríamos o sal da terra e se nós não salgássemos a terra ela ficaria insossa. Pois é, vivemos dias em que os saleiros andam entupidos.
Precisamos retornar a Palavra, implantá-la em nós como estilo de vida, encarná-la como o Cristo fez. Torná-la inegociável, e mostrar ao mundo que é possível vivencia-la. Hoje, o evangelho que está sendo pregado por aí é um evangelho fragmentado, cheio de inserções, carregado de dogmas que afasta mais gente do que é importante e atrai pessoas pra superficialidade. (grifos nossos)
Não sei quais são os seus valores cristãos e ideológicos como evangélico que se diz ser, todavia, você poderia se olhar no espelho e se dizer semelhante a Cristo ou ainda vive-se com a ideia hipotética que se é impossível ser semelhante a Cristo e essa ideia tornou-se ultrapassada no decorrer dos tempos?

A seriedade do evangelho se prostituiu com os deleites mundanos e quem “paga o pato” são aqueles que tentam sobreviver como cristãos em uma sociedade de valores morais inócuos e voláteis. Posso tentar concluir com a indagação que já se espera: Onde estão os homens de Deus? Ou onde estão os 7000 que não se curvaram diante de Baal?

Saiam das cavernas! Saiam das escondidas! O povo perece pela ausência de pregadores da Palavra de Deus. E onde está você?

Talvez se tivéssemos alguns homens com a abnegação de Gandhi a igreja com certeza não estaria nesse estado deplorável em que se encontra!

Postado anteriormente em IDE (iconoclastasdoevangelho)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Esqueceram de deixar Deus se fazer presente nos cultos



Viagens. Viagens. Viagens. Culto nos fins de semana, igrejas, cruzadas, “evangelismo”, “adoração”. A normalidade da “i”greja, o culto ao ventre humano como se fosse adorado algum deus nesses recintos. Os desenvolvimentos dos trabalhos durante o culto demonstram, ou tentam demonstrar, a melhor maneira de atrair a atenção do público, que por muitas vezes são altamente exigentes e, uma grande maioria, não entende muita coisa do que se é falado à frente.

Em uma situação semelhante, um homem saído da região agrícola de seu país, onde havia uma grande quantidade e variedade de falsos profetas, mercadores mentirosos, um governo de corruptos. (Querido leitor, por incrível que pareça, não estou me referindo ao Brasil)

Um profeta, talvez meio doido, e, provavelmente, incompreendido, julgado por muitos, criticados por outros, não aceito por uma grande maioria fala algumas mensagens duras sobre juízo, sobre a queda e destruição da sua nação. Se parafraseasse as palavras dele e “substituísse” povos por “i”greja e “nós” por Igreja, diria que esse profeta era nosso conterrâneo.

Miquéias 4.5 Pois todos os povos andam, cada um em nome do seu deus; mas nós andaremos para todo o sempre em o nome do Senhor nosso Deus.

Já faz algum tempo em que tem-se esquecido da importância de Deus para com o andar dos cultos. Cada um fala o que quer, prega o que quer, fala como quer, se refere a Deus como quer. Alguns dizem que Ele está presente, mais pouco são os sinais de tais evidências. 

Alguns inventam tantos e tantos sacrifícios (sejam ofertas, dízimos, prosperidade, dentre outros – discussão sobre ofertas e dízimos em outra oportunidade) que fica demonstrado somente a importância das obras, do que você pode oferecer ao Senhor como seu “culto completo”.

Miquéias 6.7-8 Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de miríades de ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto das minhas entranhas pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes humildemente com o teu Deus?

Os sacrifícios são demonstrados de uma infinidade de maneiras. Unções dos mais variados tipos, estilos e gostos – unção do riso, unção de animais, unção do cai-cai – só ficando de fora a unção do Espirito Santo de Deus. Em que transformamos nossos cultos? Em que transformamos o evangelho? Pede-se sacrifícios e mais sacrifícios e tem-se menos de Deus.

Se já não fosse o suficiente ter menos de Deus nos trabalhos e cultos ainda temos que aguentar os homens com seus devidos egoísmos e cultos humanísticos.

Se faça presente em nossas vidas. Sei que isso não é muito para o Senhor, porque se formos esperar pelos cultos seremos mais uma parte da geração enganada com a “pregação do evangelho”.

Postado anteriormente em IDE (iconoclastasdoevangelho)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Queria aprender a amar de verdade



Queria aprender a amar de verdade
Sentir aquele grande sentimento
Aquilo que é mais do que um momento
Matar aquela velha e saudosa saudade.

Queria aprender a amar de verdade
Entender que a vida não é um lamento
Que aqui sempre vai existir um tempo
Nas calmas águas da tranqüilidade.

Queria aprender a amar de verdade
Saber que o que sinto não é como vento
E por mais cansado que esteja, sento
E observo o pôr-do-sol na cidade.

Queria aprender a amar de verdade
E viver, sentir mais do que alento
Aquilo que é bem mais que sentimento
Indo além da minha sinceridade.

Queria aprender a amar de verdade
Que isso não seja sofrimento
Para quem lutou até contra o tempo
A espera dessa oportunidade.

Queria aprender a amar de verdade
E entender que nem tudo é saudade
Que nem sempre se vê a cara metade
No lado escuro da felicidade.

Deus não existe... Simples assim




God does not exist. He is being itself beyond essence and existence. Therefore to argue that God exists is to deny him.
Deus não existe. Ele é Ele mesmo pra além de toda essência e existência. Portanto, arguir acerca da existência de Deus é o mesmo que negá-Lo.
(Paul Tillich)

Depois de tanto tempo tentando e pensando que acreditava na existência de Deus e me deparar com uma frase de tanto impacto, minhas estruturas psicológicas se abalaram por nunca ter levando uma linha de raciocino como esta. Simplória e objetiva. Taxativa e clara. Um pouco de “filosofia” (e outros elementos) ajuda a entender.

Quando se fala em existir, chama-se a atenção para algo que foi criado, que teve um começo, que surgiu de algo ou que antes não existia. Existe o Cosmos. Existem as galáxias. Existem todos os entes energéticos. Existem anjos. Existem animais e toda sorte de vida e anima vivente. Existem vegetais, peixes, e organismos de toda sorte. Existem as partículas atômicas e as subatômicas. Existe o homem. Existe eu e você e etc.

Ou seja, Deus não existe, pois Ele é. Se Deus existisse, Ele não seria Deus, mas apenas um ser na existência. E como também não foi criado, pois se tivesse sido criado, deveria ter surgido em algo através de/dentro de alguma Coisa-Deus de deus. Assim, Deusnunca existiu, pois Ele é.

Logo, imagine-se que um Criador que existisse em Algo, não passaria apenas de um engenheiro Universal e um mestre de obras cósmico. Nada, além disso. Com muito poder. Porém, nada além de um Zeus Maior, como crido na Grécia Antiga.

Mais interessante de se observar é que a Escritura não oferece argumentos acerca da existência de Deus. Jesus tampouco tentou qualquer coisa do gênero. Tanto Jesus quanto a Escritura apenas afirmam a fé em Deus, e tal afirmação é do homem e para o homem e não para Deus; pois se assim fosse para Deus, o tal homem seria o Deus de Deus, posto a existência de Deus dependeria da afirmação e do reconhecimento humano. Tal Deus nem é e nem existe; exceto na mente de seus criadores. Seria como se nós homens (de forma geral) tivéssemos o poder de delimitar a existência de Deus. Assim sendo, além de delimitar a existência, já faríamos o que muitos homens tem tentando em limitar o Seu agir.

No encontro com Moisés, Deus faz uma biografia rápida:

Ex 3.13-14
Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.
Agora, imagine só o Deus Onipotente dependendo da defesa de algum homem. Soa até de forma cômica ou mesmo tentar imaginar tamanha astúcia. O verbo ser e estar no inglês são conjugados da mesma forma (to be) mais quando se passa para o nosso português, nota-se uma grande diferença, assim sendo, quando Deus diz a Moisés desse modo, Deus não diz “Eu Estou”, mas sim “Eu Sou”. Ora, um Deus que está, não é, mas passou a ser. Porém o Deus que É, mas não está; não pertence ao mundo das coisas verificáveis; posto que Aquele que É, não está; pois se estivesse, seria —, mas não Seria Aquele de Quem procedem todas as existências, sendo Ele apenas um ele, e não Ele; e, por tal razão, fazendo parte das coisas que existem — mas sem poder dizer Eu Sou!

Jesus também falou da sutileza do ser em relação ao estar. Quando indagado acerca da ressurreição pelos saduceus (que não criam em nada que não fosse tangível), Ele respondeu: “Não lestes o que está escrito? Eu sou o Deus de Abraão, eu sou o Deus de Isaque, eu sou o Deus de Jacó. Portanto, Ele é Deus de vivos, e não de mortos; pois para Ele todos vivem”. Assim, os que vivem para sempre são os que são em Deus, e não os que estão existindo. A vida eterna não é existir pra sempre, mas ser em Deus.

Caio Fábio, aborda de forma simplória sobre isso ao expressar:

O que “existe”, pertence à categoria das que coisas que são porque estão. Deus, porém, não está; posto que Ele É. Assim, para viver eternamente eu tenho que entrar na dissolvência da existência, a fim de poder mergulhar naquilo que está pra além do que existe; posto que É. A morte pertence à existência. A vida, porém, se vincula ao que não existe, pois, de fato É. O que existe carrega vida, mas não é vida. A vida, paradoxalmente, não pertence ao que é existente, mas sim ao que É. Quando falo de vida, refiro-me não às cadeias de natureza biológica que constituem a vida dentro da existência. Mas, ao contrario, ao falar em vida, refiro-me ao que é para além da existência constatável.

Sabe aquelas conversas informais (gírias) quando nos referimos a determinada pessoa no sentido de dizer: “Bicho, esse cara não existe!” Assim afirmando que essa pessoa é de mais, muito boa, além do normal? Assim também se faz com relação a Deus, parafraseando o Tillich, pois também Deus não existe, porque Ele simplesmente É De Mais.

Confuso? Complexo? Como nem todo pregador fala sobre isso, soa como novidade aos “nossos ouvidos”. Semelhantemente ao evangelho, e como sempre gosto de dizer... Se fosse fácil todo mundo seguiria.

Texto base retirado de uma resposta do Pr. Caio Fábio

Postado anteriormente em IDE (iconoclastasdoevangelho)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Alguém que ainda acredita



Quando as lagrimas inundam o chão
E ninguém mais quer entender
Alguém consegue me compreender?
Parece que grito aqui em vão.

Ninguém está aqui para me ouvir
As paredes se calam a minha voz
Encontro em meu colchão meu algoz
Por acaso teria ainda algo para vir?

Como eu poderia ter fé?
Mal acredito nas coisas que vejo
Como acreditar no que não vejo?
Mal tenho forças para ficar de pé.

A solidão fica aqui sempre comigo
É minha maior companheira
E na cama, senta comigo a beira
Onde cometi o erro, vivi a estribeira?
Logo, nunca fui nenhuma freira
Considerando os caminhos tortuosos que sigo.

Chego até a não acreditar em mim
Nas coisas que poderei fazer...
No que poderei aqui viver
E não vivo e não tenho nenhum lazer
Da vida desconheço o prazer
Parece que realmente já cheguei ao fim.

Mas existe algo que me puxa para fora
Como um Alguém que ainda acredita
Que insiste para que eu aqui viva
Para não desistir dessa velha lida
Pois existe algo bem maior que a vida
E como águia a sua força renova.

E sou levado a acreditar nisso tudo
E tentar viver essa tal felicidade
Que em qualquer canto da cidade
Vivendo em Sua simples vontade
Esqueço da minha própria idade
E fecho minhas portas para o luto.

A Graça, somente a Graça...



Ao olhar na profundidade das escrituras e deparar com minha triste realidade, minha natureza caída, entender que não merecia nada além do inferno, a Justiça e a Ira de Deus deveriam ser executadas sobre mim. Mas, como se por um intervalo, tudo fosse mudado, tudo fosse alterado, um novo significado surge.

Paul Washer retrata um sentido muito interessante ao exclamar:
"Então me perguntam: "E qual é o maior ato de fé?" Para mim é olhar no espelho da palavra de Deus e ver todas as minhas falhas, todos os meus pecados, todas as minhas deficiências e acreditar que Deus me ama exatamente como Ele diz que me ama"

Procuramos por milagres, ressurreições, ofertas, dádivas, tentamos nos tornar melhores para sermos mais merecedores do que Deus fez por nós um dia... e nos esquecemos que tudo que recebemos não é somente pela Sua Graça. Talvez as pessoas não a compreendam na sua totalidade, pois, acham que somente são merecedoras das “coisas boas de Deus” pelas coisas que elas fazem. E a Graça é totalmente o inverso disso.

É olhar ao prostituto e dizer, “Deus perdoa TODOS os seus pecados independente do que você já fez um dia.” É olhar para um pedófilo e dizer: “Os teus pecados são perdoados em nome de Jesus! Vá e não peques mais.” É olhar para o assassino e dizer: “A Graça do Pai te alcança. Arrepende-te e decida ser uma nova criatura pela ajuda e influência do Espírito Santo!”

Nós, como seres humanos somos os maiores canalizadores da Graça divina, seja por meio da “i”greja ou seja por meio da religião. Mais entenda uma coisa, quando eu digo canalizadores, digo como limitadores, pois, achamos que cabe a nós delimitar sobre quem deve vir o perdão de Deus, sendo que o próprio Cristo disse: (João 6:36)“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.”

Reconheço que não mereço nada do que tenho recebido. E você?

Deus é santo e odeia o pecado, isso é fato. E também não pode fazer mais nada pelo pecador se o mesmo não se arrepender por influência do Espírito Santo. Mais uma coisa é certa. Ainda há tempo de nos arrependermos dos nossos pecados (independente de se achar cristão ou não, pois o arrependimento é algo intrínseco a alma de uma pessoa salva) e nos achegarmos a Ele, pois haverá um dia que Ele não será mais um advogado intercessor, mais sim o Justo Juiz.

Escolha de que lado você quer ficar.

Obrigado, oh Eterno, pela Sua Graça por sobre nossas vidas.

A Graça, somente a Graça... 

Postado anteriormente em IDE (iconoclastasdoevangelho)

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